Os anos 1980 foram de muita criatividade para o rock
brasileiro, com bandas surgindo a toda hora. Entre elas há uma que surgiu em
1987 e que pavimentou sua estrada com muito sucesso, mas com os tijolos da
pregação do Evangelho. Estou falando da Oficina G3.
A banda foi formada por membros da igreja Cristo Salva da
cidade de São Paulo. Os músicos Juninho Afram (guitarra), Wagner Garcia “Maradona”
(Baixo), Walter Lopes (Bateria), Túlio Régis e Luciano Manga (Vocais), formaram
a banda para ser o terceiro grupo de louvor da igreja e por isso o denominaram “G3”.
Mas com o passar do tempo mudaram de nome para Oficina, tendo em mente que o
Evangelho concerta. Posteriormente se inscreveram em um concurso de talentos
com o enigmático nome “Oficina G3”, que acabou ficando.
Em 1990 a banda grava um show na conhecida casa de
espetáculos Dama Xoc e é lançado como seu primeiro álbum pela Gospel Records.
Isso foi inovador, já que poucas bandas lançam álbuns de estreia ao vivo e sem
overdubs.
Depois de algumas mudanças, a banda se firmou com Juninho
Afram (Guitarra), Walter Lopes (Bateria), Duca Tambasco (Baixo) e Luciano Manga
(Vocais). E com essa formação lançam em 1993, o álbum “Nada é tão novo, nada é
tão velho”, consolidando de vez sua carreira.
Porém o álbum mais aclamado da primeira fase da banda foi o “Indiferença”,
lançado em 1996, e que marcou a entrada do virtuoso tecladista Jean Carllos. O
álbum, que teve sua sonoridade calcada no hard rock, é considerado por muitos como
o melhor da Oficina G3, chegando à 22º melhor álbum da música cristã brasileira
e alcançou a posição nº 10 da classificação de melhor álbum da década de 90.
Porém, por motivo de sua atividade como pastor, Luciano
Manga deixou a banda em 1997. Mas indicou o Pedro Geraldo (PG), baixista e vocalista
da banda Corsário, para assumir o seu lugar.
Com a entrada de PG, a banda gravou em 1998 o álbum acústico.
E no ano seguinte lançaram o mesmo álbum e versão ao vivo, gravado na casa de
espetáculos Olympia. Ambos não agradaram alguns dos fãs mais fervorosos, apesar
de terem vendido bem. Além disso, esses álbuns foram aplaudidos pela crítica
devido a virtuosidade de seus músicos.
Já em 1999 a Oficina G3 abdica dos direitos autorais de seus
álbuns com a gravadora Gospel Records para assinar contrato com a MK Music. E
assim, em 2000, é lançado o álbum “O tempo”, que teve a sonoridade calcada no
Pop Rock. Este álbum foi um sucesso e alguns de seus vídeos clipes foram
exibidos nos canais Multishow e MTV.
Mas a banda sempre se envolveu em polêmicas, que culminaram
nas trocas frequentes de seus integrantes. Primeiro o vocalista Tulio Régis,
que saiu por divergências. Depois é a vez do baterista Walter Lopes, que deixou
a banda em meio as gravações do álbum Humanos, de 2002. Em seguida a conturbada
saída do vocalista PG em 2003. E, depois de ser efetivado como membro, a saída
por motivos contratuais do estonteante baterista Alexandre Aposam. Sem falar que
eles preteriram a gravadora Gospel Records pela MK Music. Mas, depois de anos,
deixam a MK para tornarem-se uma banda independente, lançando apenas singles nas
plataformas digitais. O que culminou no hiato em que a banda se encontra hoje.
Porém, polêmicas à parte, a Oficina G3 galgou patamares jamais
imaginados por outras bandas cristãs. Como ter sido indicada três vezes para o
Grammy e vencendo em 2009. Também foi uma das primeiras bandas a ter seus clipes
exibidos em canais seculares. Sem falar que foram premiados algumas vezes com
os troféus “Talento” e “Promessas”. E é inegável a destreza musical de seus
integrantes, que figuram entre os melhores músicos brasileiros de todos os
tempos.
Mas também não podemos negar que eles cometeram alguns
deslizes como o álbum “Elektracustika” de 2007, que ninguém conseguiu compreender.
Lamentamos que, depois de chegarem ao seu auge com o álbum “Depois
da Guerra” de 2009, em 2013, tenham gravado o “Histórias e Bicicletas”, que sepultou
sua carreira, tentando fazer um disco tão relevante quanto o anterior. E para
sacramentar seu sepultamento, em 2015 lançaram um DVD pra lá de chato, com os
pormenores das gravações de um álbum que não agradou.
Esperamos que em um futuro muito próximo a Oficina G3 ressuscite,
pois eles são uma das maiores influências tanto para músicos cristãos como
seculares.
Discografia:
1990: Ao Vivo
1993: Nada É Tão Novo, Nada É Tão Velho
1996: Indiferença
1998: Acústico
1999: Acústico Ao Vivo
2000: O Tempo
2002: Humanos
2005: Além do que os Olhos Podem Ver
2007: Elektracustika
2008: Depois da Guerra
2013: Histórias e Bicicletas (Reflexões, Encontros e
Esperança)
2016: Tudo É Vaidade
(Single)
2016: João (Single)
Por Ricardo Castro

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