REBORN (STRYPER) MERECE OU NÃO FICAR NA DISCOGRAFIA?







Geralmente as bandas que tem uma longa carreira possuem em sua discografia um álbum que destoa dos demais. E esses álbuns sempre dividem opiniões entre os fãs. Alguns deles amam tanto o lançamento a ponto de pedir a banda que repitam a fórmula em outros álbuns e ficam chateados quando não são atendidos. Mas o que acontece com muita freqüência é que os fãs odeiam o álbum e o querem eliminar da discografia oficial da banda.

E foi isso que aconteceu com o álbum Reborn da Banda Stryper, lançado em 2005 pela Big 3 Records.

Para que possamos entender o impacto que este álbum teve no momento de seu lançamento, temos que conhecer todo o contexto em que ele está inserido.

Como todos sabem, a Stryper se dissolveu em 1993 com a saída do vocalista Michael Sweet, durante a turnê européia do lançamento do álbum Against the Law de 1990.



Stryper - 1990 - Against the Law






Depois disso, cada membro da banda seguiu caminhos diferentes, ingressando em bandas diversas. Robert Sweet (baterista) lança seu álbum solo intitulado Love Trash, que teve como vocalista Larry Worley (ex-Fear Not) e em que o Robert produziu e tocou todos os instrumentos.



Robert Sweet - Love Trash








Larry Worley






Posteriormente ao lado do guitarrista Bill Menchen, Robert entre em diversos projetos como The Seventh Power, Rev Seven, The Final Axe e Menchen.






Bill Menchen









Tim Gaines e Robert Sweet se juntaram ao virtuoso guitarrista Rex Carrol para formar a banda King James.



Rex Carrol








King James













Oz Fox e Tim Gaines formam a banda Sin Dizzy.










Sin Dizzy - He's not dead












E o Michael Sweet dá início a uma carreira solo bem estruturada.



1994






Tudo parecia ter realmente acabado, quando em 1999 Michael Sweet foi a atração principal de um evento em Puerto Rico em que a banda de abertura foi a Sin Dizzy do guitarrista Oz Fox. E ao término da apresentação do Michael, ele convida o Oz e o Tim para subirem ao palco e tocarem diversos clássicos da Stryper.

Já em 2000 a banda se reúne para uma apresentação no Stryper Expo em Parsippany, Nova Jersey. O evento foi um sucesso e a apresentação do Stryper foi registrada em vídeo. Mas em sua biografia Honestly o Michael disse que o show tinha cerca de 1500 pessoas, incluindo fãs do Japão e da Austrália. Mas confessou que não estava levando o show muito à sério, tanto é que se apresentou usando calças de moleton. E quem assistiu o vídeo pôde ver que a banda errou em algumas bandas.






Stryper Expo 2000






Em 2002 o produtor musical Dave Rose começou a trabalhar com o Michael Sweet em sua carreira solo, mas estava encontrando muita dificuldade em conseguir contrato com gravadoras. Foi então que o Dave sugeriu ao Michael um retorno definitivo com a Stryper, para que alavancar sua carreira solo.



Dave Rose









Ainda em 2002 a banda à pedido da Hollywood records a banda se reune para gravar duas músicas novas, "For You" e "Something" (ambas compostas do por Michael Sweet) para ser incluídas na coletânea Seven, que foi lançada em 2003. Mas acontece que os fãs já podiam notar uma notável diferença na sonoridade dessas duas faixas, que mais parecias músicas da carreira solo do Michael.



Stryper - Seven (Coletânea)






Em 2003, com o sucesso de vendas da coletânea, Michael faz as pazes com seu irmão Robert Sweet e com Oz Fox e Tim Gaines, e decidem fazer uma tornê de retorno da banda que culminou em um DVD gravado no anfiteatro Tito Puente em Puerto Rico com uma platéia de 7000 pessoas e um álbum ao vivo chamado 7 Weeks, Live in America, que reunia grandes sucessos gravados em 23 apresentações pelos EUA.



Stryper - Live in Puerto Rico








Stryper - 7Weeks, Live in America 2003






Depois dessa turnê a banda decide demitir o Baixista Tim Gaines e para o seu lugar contrataram Tracy Ferrie (Ex-Whitecross) que já havia trabalhado com Michael em sua carreira solo.



Tracy Ferrie






Nesse ínterim, o Michel mostra para os outros membros da banda uma demo que seria seu próximo trabalho solo. As músicas deixam o guitarrista Oz fox maravilhado e diz para o Michael que aquele deveria ser um trabalho do Stryper. E essa sugestão levou o Micahel a contatar a Gravadora Big 3 e sugirir que em vez de lançar seu próximo álbum solo, lançasse o sexto álbum da Stryper. Esse seria o primeiro álbum de inéditas,15 anos depois do lançamento do álbum Against the Law.

Para esse lançamento foram usados os arranjos do Michael com os outros músico apenas gravando suas partes assim como estava na demo.

O álbum foi completamente gravado no Blue Jay Recording, em Carlisle, Massachusetts. Foi mixado no Mixed Emotion Music em Middleton e masterizado no Sterling Sound.

Havia uma grande expectativa para esse lançamento, já que era o primeiro lançamento de músicas inéditas em 15 anos e o lançamento do álbum ao vivo 7 weeks, recheado de clássicos, fez com que os fãs esperassem um novo clássico.

Entretanto o que a banda entregou foi algo muito mais parecido com as músicas inéditas lançadas na coletânea Seven. Isto é, um Rock Alternativo com influências do Nu Metal. Isso trouxe grande decepção aos fãs mais ardorosos, que repudiaram o álbum e, sem conhecimento do que rolava nos bastidores, acusavam o Traci Ferrie de ter trazido uma sonoridade mais "moderna" para a banda.

Outra das novidades do álbum é que não há os duetos de guitarras que se tornaram na marca registrada da banda e apenas uma das músicas possui solo de guitarra, excluindo a I.G.W.T., que é uma versão da música In God We Trust lançada originalmente em 1988 no álbum de mesmo nome.



Stryper - In God We Trust









Outra coisa que os fãs reclamaram muito é que os tons estão mais baixos e não há os Screams do Michel, que é outra das marcas registradas da Stryper.

A capa do álbum é uma história à parte. Nela se encontram os membros da banda envolvidos em algo que parece uma placenta. E a MTM Records de Nashville lançou o álbum com uma capa diferente e com o CD prensado em cor amarela. Em outros países a capa muda, dependendo da aceitação do público, já que algumas lojas acharam-na ofensivas.



Stryper - Reborn (Versão da MTM Records)






Outra coisa que os fãs alegaram na época é que, querendo parecer mais modernos, o riff da música Live Again foi plagiada da Música Aerials da banda System of a Down. Particularmente, não acredito que tenha sido um plágio. Porém, é uma clara influência.

Uma curiosidade é que a lista de músicas da primeira tiragem é diferente da Track list do álbum e por isso, essa tiragem tornou-se uma peça cobiçada por colecionadores, mas não pelas suas músicas, mas sim por causa desse erro de edição.

Lembro-me perfeitamente que comprei uma versão mexicana do álbum e quando finalmente a recebi pelos correios, apressadamente o toquei no meu aparelho de som, mas quase não acreditei que se tratava da banda Stryper, que apreciava desde 1989. As músicas não se pareciam nem de longe com os clássicos Loud n' Clear, The Way, Loving You, Caught in the Middle, Soldiers under Comand e a famosíssima To Hell With the devil. Foi uma decepção tão grande que confesso que foi difícil chegar a última música do Play, a I.G.W.T., que foi uma brisa de alívio diante de árido deserto que foi a minha primeira audição desse álbum.

Por volta de 2011, por meio das redes sociais, a banda, com o retorno do baixista Tim Gaines, a banda fez uma enquete para saber se os fãs queriam que eles fizessem uma regravação do álbum com uma nova roupagem e a inclusão do Tim no baixo. Mas a resposta uníssona dos fãs foi que não se deveria mexer em algo que já estava ruim.

Por essas e outras, muitos fãs da banda classificam o álbum Reborn como o mais fraco de sua discografia e muitos nem o incluem nela. E eu passei muito tempo evitando ouvir o álbum pelos motivos já apresentados. Mas, dez anos depois, uma nova audição me fez ver o álbum com outros olhos (ou com outros ouvidos). Hoje não considero o álbum ruim, mas sim, apenas diferente de tudo o que a banda já havia lançado e agora consigo escutá-lo sem preconceitos e gostar de músicas como Open Your Eyes, When Did i See, If I Die, Reborn, Live Again. Depois de muitas audições me atrevo a dizer que é um bom álbum, mas deveria ter sido lançado mesmo com um trabalho da carreira solo do Michael Sweet.

E em 2021 o Michel tomou coragem e relançou este álbum com o novo título Reborn Again e colocando solos de guitarras em todas as músicas e os gritos que todos esperavam. E para mim, que já havia feito as pazes com o álbum em 2015, gostei muito desse relançamento e o escuto quase todos os dias.



Michael Sweet - Reborn Again






Para concluir, indico ao querido leitor desse blog que escute o álbum sem preconceitos e sem imaginar que ele faz parte da discografia da maior banda de Metal Cristão do planeta, e aí com toda certeza a audição será prazerosa.






Reborn - Versão Japonesa



Reborn - Versão Koreana



Reborn - Versão Promorcional Americana



Reborn - Vinil Alemão



Reborn - Vinil do Reino Unido



Reborn - Vinil Americano



Reborn - Vinil Americano






Por Ricardo Castro.

Pastor, escritor, músico e colunista.




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